
Isto das famílias tem muito que se lhe diga!!
Desde que me tornei adolescente que me chamavam gorda, porque tinha a bundinha avantajada e ums coxas que lhe faziam companhia… depois admiraram-se porque quase me tornei anorética… Agora que sou adulta e mãe de duas filhas e não faço nada para emagrecer, sou de facto mais magra… e chamam-me esquelética…
O porpósito deste parágrafo? Não sei… mas considerando os últimos acontecimentos, lembrei-me desse facto!
Quase a terminiar as férias, perante a minha pena penosa e sentida de ter que voltar à rotina e a outro país, a minha mãe responde prontamente – provavelmente até sem intensão de… – “ah, mas as tuas não acabam, as tuas férias continuam!”… saltaram-me todas as tampas possíveis, causei logo um fururu, e fiz bem questão de vincar o quanto tinha ficado magoada! Afinal, estava cansada de explicar que trabalho!! Estou a investir na minha vida profissional, procuro trabalhos como freelancer, estou em evolução, não estou parada! Tenho compromissos profissionais! Não ganhar dinherio (ainda) não quer dizer que esteja de férias, de papo para o ar o dia todo ou parte dele, a coordenar o trabalho das empregadas!!………
Isto quando na realidade me esperava trabalho a sério - como se considera culturalmente - que incluia respostas a emails e reuniões importantes! Se vai sair alguma coisa daqui não sei, mas que tinha trabaho à minha espera, tinha!
…
Ainda nas férias, no curto encontro que tive com o meu irmão do coração, a minha cunhada fez questão de me dizer sem rodeios que não percebia porque insistia no que estava a fazer! Quando é que arranjava um trabalho a sério, provavelmente de gente adulta?… “Não tens nada! Não tens curriculo…” “Não tens nada!”… “Não fizeste nada!” Na hora só me apeteceu partir-lhe a cara! Mas foi uma noite importante para mim, e no dia seguinte quase que só me apetecia mandar-lhe flores com um cartão e chocolates a agardecer o que tinha feito por mim!
Primeiro tenho a sorte de ter uma cunhada que apesar de não ser políticamente correcta, pelo menos já sei que não é falsa! Nunca fez um esforço por ninguém se sentir bem com as suas palavras, ou expressão, por isso sempre que me elogiou posso sentir que foi do coração! Antes assim do que dissimulada…
Segundo, foram os comentários dela, e a minha contra-argumentação, para lhe provar que estava errada – inicialmente numa tentativa de auto defesa e fuga à humilhação - que me mostraram a mim mesma a importância de todo o trabalho que tenho desenvolvido! Mesmo sem ganhar dinheiro, ou quase não ganhar dinheiro! Se não fizesse o que faço é que não teria nada e não me sentiria no caminho certo como sinto agora! Se não fizesse o que faço não tinha contactos, não tinha experiências, não tinha crescido como profissional e pessoa! A partir dessa noite senti-me muito melhor comigo mesma! E com mais energias para continuar o meu “insignificante trabalho”…
Depois disso, bastantes dias mais tarde, precisamente no dia a seguir de sentir saudades do meu irmão, no dia a seguir a sentir que apesar de não falarmos muito temos uma ligação especial, por ser dos únicos que me consigue fazer chorar de emoção e saudade (não sei bem porquê)… o único email que recebi dele é também uma crítica ao meu trabalho! Nada demais, mas ele que nunca disse bem, nem comentou, nem acompanhou muito bem as evoluções… a única coisa que soube dizer foi mal… se cahar até tinha razão na crítica, mas para além de me sentir frágil, ainda me chocam as pessoas que apenas sabem criticar sem nunca se darem ao trabalho de dizer bem ao que está bem… nada de apoios, que disso ninguém precisa!…
Mas bem, posto isto e isto posto, a família tem muito que se lhe diga, e nem sei se agradeça o que fazem ou não fazem por mim, se os critique pela influencia que têm no meu estado de espírito! Faria sentido escrever isto tudo se fossem apenas desconhecidos? Não, claro que não… faz sentido porque são pessoas que me são próximas, por quem tenho carinho ou uma relação qualquer por mais que queirafugir dela… um estranho não tem a mesma infuência sobre nós, porque não esperamos o mesmo de estranhos! Da família esperamos mais… assim como esperamos dos que nos são queridos… mas… deveríamos?…